Idoso bem de vida
Velhice não é doença. E idoso não é doente. Enquanto o senso comum insiste em relacionar perda de qualidade de vida com a idade, os médicos tentam disseminar a cultura de que é possível viver bem, seja qual for a faixa etária. Uma terceira idade saudável ajuda a distinguir com mais facilidade o que é envelhecimento natural dos sintomas de alguma doença: se a pessoa vive bem, qualquer alteração na saúde chama atenção.
Para se chegar aos 80 anos aproveitando todos os dias, os especialistas apresentam uma lista de sugestões - na verdade mandamentos - que retardam os efeitos do tempo. Esses mandamentos focam em diversas áreas da vida e devem ser colocados em prática muito antes de se chegar à velhice. É como um planejamento financeiro. Se gastar tudo o que se tem hoje, não se terá nada amanhã. Se não cuidar do corpo hoje, as conseqüências virão, mais cedo ou mais tarde.
Algumas das orientações dos médicos se resumem a pequenas atitudes. Colocar corrimão nas escadas e tapetes de borracha no banheiro e nunca usar sapatos de solado liso evitam acidentes com fraturas graves. Outras orientações, no entanto, requerem dedicação e força de vontade.
O professor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS ngelo José Gonçalves Bós ensina que a medicina trabalha com o conceito do envelhecimento ativo, quando se mantém na terceira idade a mesma independência da idade adulta.
- Um idoso vive diferente de um jovem. Usa mais a parte intelectual do que a física. O vocabulário, por exemplo, não pára de crescer e ele pode continuar aprendendo várias coisas. Mesmo com as limitações, locomove-se bem e toma suas próprias decisões - explica.
Uma grande dica é nunca deixar os relacionamentos pessoais de lado. Quem convive bem, vive bem. Atuar na igreja, em instituições sociais, clubes e, claro, ficar sempre perto da família mantém o idoso ativo. É recomendado que uma pessoa com mais de 60 anos visite um geriatra pelo menos uma vez ao ano. Esse acompanhamento facilita quando um idoso está com alguma doença com sintomas atípicos da idade adulta. O diagnóstico de uma depressão, por exemplo, pode ser feito com mais rapidez. Permite que o médico saiba qual o comportamento normal da pessoa e perceba alguma alteração na saúde. Cabe lembrar que depois dos 70 anos a freqüência de consultas aumenta: uma vez a cada seis meses.
Se preparar para velhice é também se preparar para perdas e limitações, como explica o psiquiatra Fernando Kratz Gazalle.
- Um idoso pode enfrentar perda de patrimônio, de amigos, parentes e até limitações físicas. O ideal é se preparar na idade adulta. Pensar e planejar a aposentadoria, que deve ser um tempo a ser aproveitado. Se cercar de bons relacionamentos e participar de atividades comunitárias e de grupos.
Mas, como nem tudo é intelecto, chegar a uma velhice saudável requer cuidados físicos. Gorduras saturadas, açúcar e colesterol são arquiinimigos em qualquer idade. O peso deve ser controlado, e o estresse, administrado. Exercícios físicos também entram na lista de cuidados, claro, desde que sejam praticados com orientação profissional. Muitas das orientações já são antigas, porém, eficazes. Hoje, sabe-se que a carga genética influência o desenvolvimento da pessoa em 30%. Os outros 70% são resultado do ambiente em que se vive e como vive. (Zero Hora-12.07)
Fonte: www.unidas.org.br

